Uma História Toscana (2002)
Sinopse
Poderia estar numa colina da Toscana. Ou melhor, a própria topografia do local onde foi construída evoca paisagens da terra de Dante.
Simples, elegante, lembra os primórdios do Cristianismo quando a casa de Deus respondia a sua originária razão de ser, livre do império decorativo que ofuscaria patronos, arquitetos e público dos séculos seguintes. "Construída por Morganti", "Decorada por Volpi", lembram duas plaquetas pintadas no ingresso da capela. Nela vemos a mão do Volpi "pintor de paredes" que se esmera na figuração de anjos e profetas e repete ao infinito alguns elementos pictóricos, aqueles detalhes, às vezes geométricos, voltados a preencher o espaço.
Detalhes que mostram, a um olhar mais atento, antecipações do Volpi das fases sucessivas. O Volpi colorista aqui faz seus ensaios, talvez não definitivos, à procura do próprio caminho, que do construtivismo estático passaria ao aspecto formal dinâmico que o consagraria mais tarde.
A poucos quilômetros de Piracicaba, isolada, ainda bem cuidada, a capela leva-nos a um segundo tema que a engloba: é um exemplo de estrutura destinada ao culto dentro de um outrora complexo industrial: a usina Morganti. Com suas casas operárias, suas salas de aula e sua pequena igreja.
Na harmonia e boa conservação da capela e no total abandono e destruição do complexo industrial propriamente dito, do qual a capela faz parte, vislumbramos um trecho da história que inclui o crescimento e fim de uma família, fala-nos de um ciclo produtivo e de um núcleo habitacional que tinha sua própria revista, grêmios esportivos, festas coletivas, expressões de uma empresa que englobava outras regiões, outras importantes unidades produtivas. Esse casamento Morganti-Volpi merece atenção. Dois imigrantes que em vertentes diferentes tentam expor suas qualidades e determinação. O fato de que das industrias Morganti só restam destroços pertence à batalha perdida do homem em relação ao tempo.
O fato de se manterem inalterados os belos trabalhos de Volpi pertence à tentativa, mais bem sucedida, do homem de se equiparar aos deuses.
Fora o fato de que esse documento pode se transformar num poderoso elemento de arqueologia industrial do estado de São Paulo há nesse trabalho um outro ponto que acreditamos de não pouco valor.
A igreja e os trabalhos de Volpi foram executados dentro da mais ancestral tradição do mecenato. O verdadeiro mecenato.
Num momento em que se fala muito em patrocínio cultural e mecenato, parece-nos oportuno mostrar o trabalho que resultou de uma ação que não se socorreu de nenhuma lei de incentivo, nem por produto de renúncia fiscal ou coisa parecida.
Resultou do simples fato de que, de alguma forma, o belo fazia misteriosamente parte do universo Morganti.
Bons tempos.
Ficha técnica
| Roteiro |
Ugo Cesar Giorgetti |
| Argumento |
Bruno Giovannetti Junior |
| Direção |
Rachel Monteiro |
| Direção de Fotografia |
Pedro Pablo Lazarini, A.B.C. |
| Montagem |
Veronica Sanz |
| Produção Executiva e Coordenação de Produção |
Malu Oliveira |
| Assistente de Produção |
André Kapel Furman |
| Pesquisa de imagem e pré-produção |
Liniane Haagbrum |
| Autorização de Imagens de Arquivo |
Artur Secco |
| 1º Assistente de Câmera |
Eduardo de Andréa |
| 2º Ass. Câmera e video assist |
Juliana de Campos A. Coelho |
| Eletricista |
Alexandre Henrique da Silva |
| Áudio depoimentos |
Jones K. Kiwara
Davis Jacomi Neto |
| Auxiliar elétrico |
Roberto Bonifazzi |